O "ser português" e o "outro": Revisitar a história de Portugal no diálogo com a civilização chinesa - O caso Tomás Pereira

A Europa e a Igreja Católica viviam um período conturbado, no contexto da Reforma Protestante do século XVI, quando a Companhia de Jesus surgiu, ajudando a garantir a posição do catolicismo no velho continente e tomando para si a missão de divulgar a fé a outros povos. Enquanto isso, Portugal des...

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Main Author: Haoyan, Song
Format: Theses
Language:Portuguese
Published: 2015-07-28
Subjects:
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A Europa e a Igreja Católica viviam um período conturbado, no contexto da Reforma Protestante do século XVI, quando a Companhia de Jesus surgiu, ajudando a garantir a posição do catolicismo no velho continente e tomando para si a missão de divulgar a fé a outros povos. Enquanto isso, Portugal descobria todo um Novo Mundo, graças à temeridade dos seus marinheiros e à ousadia dos seus reis. O jesuíta português Tomás Pereira foi um dos que partiu de Lisboa para o Oriente, sob as ordens do Padroado Português, para converter os infiéis ao catolicismo. Para isso, o religioso estudou a língua e cultura chinesas em Macau, antes de conquistar um posto em Pequim, junto do imperador Kangxi. A par do seu trabalho de proselitismo, Pereira foi um embaixador das ciências ocidentais e ocupou um importante cargo na corte Qing, desempenhando um papel de relevo nas negociações com a Rússia, na sequência da invasão de territórios chineses. O episódio da Controvérsia dos Ritos é revelador da influência que Tomás Pereira alcançou: após a proibição das missões na China e graças aos seus argumentos junto do imperador, o jesuíta conseguiu que o Édito de Tolerância ao Cristianismo fosse publicado. Para além disso, conhecedor que era da teoria musical, foi professor de música do próprio imperador e escreveu a primeira obra em chinês sobre a técnica musical ocidental. Enquanto o padre permaneceu em Pequim, foi registando os assuntos e acontecimentos mais importantes no seu diário, testemunho posteriormente entregue à Igreja Católica, em Roma. Muitas das suas memórias sobre Kangxi foram conservadas, permanecendo como documentos de grande valor histórico até à atualidade. Concomitantemente, a sua imagem permaneceu na literatura popular da China. O percurso de Tomás Pereira, que nasceu em Portugal mas passou a maior parte da sua vida na China, terá provocado uma metamorfose identitária. Através dele, é possível revisitar a história de Portugal no diálogo com a civilização chinesa: o seu contributo no domínio da interculturalidade é inegável. O grande objetivo do presente trabalho é precisamente estudar as relações culturais entre os dois países, a partir da ação dos jesuítas na segunda metade do século XVII e inícios do século XVIII, com especial enfoque na vida e identidade do padre Tomás Pereira (1645-1708).
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