Carta del pe. Enrrique enrriquez para los pes. y hermanos del collegio de iesus de coimbra escrita a 6 de deziembre de 1547 años.
This 16th-century letter, dated 6 December 1547, from Padre P. Henrique Enriquez to the College of Jesus in Coimbra, details his missionary activities in India. Enriquez describes managing multiple locations, including Tuticorin, Punicalé, and Cebuturu, and overseeing the baptism of local inhabitant...
Saved in:
| Format: | Manuscripts |
|---|---|
| Published: |
1547-12-06
|
| Subjects: | |
| Online Access: | https://macau-legacy.usj.edu.mo/docs/UU3YEYLA/viewer_UU3YEYLA.html |
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|---|---|
| archiveLocation | 49-IV-49, fl. 32 |
| building | Portugal. Biblioteca da Ajuda |
| collection | Portugal. Biblioteca da Ajuda |
| description | This 16th-century letter, dated 6 December 1547, from Padre P. Henrique Enriquez to the College of Jesus in Coimbra, details his missionary activities in India. Enriquez describes managing multiple locations, including Tuticorin, Punicalé, and Cebuturu, and overseeing the baptism of local inhabitants. He mentions the scarcity of priests and the challenges of converting and educating the Xpúanos, a local group. The letter highlights the administrative burden and spiritual work involved in colonial missionary efforts, noting the frequent visits to various places and the necessity of baptizing many individuals. Enriquez expresses concern over the lack of support from Portugal and the need for more priests to address the vast number of regions requiring pastoral care. The document provides insight into the early stages of Christian missionary work in India during the late 16th century. Entry number 20 in catalogue "Jesuítas na Ásia" |
| first_indexed | 2026-05-10T08:59:02Z |
| format | Manuscripts |
| fulltext | [transcription]
{{PAGE:1}}
Do ano de 1548.
Este anno de 47. carta do pº Enrique Enriquez para os pºs e heróis do collegio de Iesus de Coimbra escrita=
a 6. de dezembro de 1547. anos.
Gracia dni nri Iesu xñ cum omnibus amen. Aun até ora não temos vistas veras
cartas de Portugal, estamos com grandes desejos de as ver, esperamos cada dia por elas,
ca em na India ay certos tpiõs en que navegam e não se pode navegar em todo tpiõ e por isso
aun aqui nesta costa do cabo de Comorin não temos recebido veras cartas, aun q̃ ay ja
dias que chegaram as navios a Goa. De meus pºs e heróis em xũ muito amados vos dei
cuenta q̃ depois de estar alguns meses em Goa vino uma carta de M. Fraco de Maluco onde
ele estava em que mandava em tudo de sancta obediência que todos os pºs que éramos venidos
do reino vencessemos ao cabo de Comorin e, aun que me persuadiam os pºs não me mudasse
de Goa pois era tão enfermo e a terra para que avia de ir tão estéril obrigava tanto o mādo do pº
que não pude comigo acabar de quedar em Goa nem pudesse viver descansado, vim e parecia
aos pºs que aqui morreria presto, mas Deus seja lheado saí muito ao contrário, por que
aun que aqui ay malos mantimentos e pocos me hallo maior que em Goa e trabalho muito
mais do que alla trabalhaua. Tenho a meu cargo um lugar chamado Tuticorin, o maior desta costa
e onde estão os principais homens dela. E outro chamado Punicalé, pouco menor que Tuticorin,
e outro aqũ llaman Cebuturu, este é pequeno e outros dois mais pequenos. Estes lugares todos visito
amenudo, cada nueve dias os visito todos, hago mais minhas assentos em Punicalé, assim por melo
mādar assim pelo pº ante criminal, como por estar em meio dos outros lugares. São tantas as ocupações
e cuidades que se seguem ao cargo destos lugares que falta muitas vezes o tempo para se homem recoger
com Deus. Todo o dia temos ocupações e, sem embargo que visite os lugares tão amenudo, hallo que
muerem criaturas sem baptismo, não pode ser menos por que nesta terra os naturais são de tão pouco
juizo que não são para saber baptizar, ainda que já em um destes lugares tenho ensinado um homem
e assim tenho de ensinar nos outros principalmente se este ano não virem pºs, pois são suficientes
até que por muitos que virem muitos mais são necessários segundo os muitos lugares e muitos piãos
que aqui ay. Allende destos lugares axtaba ditos tenho também cargo de dois que se chamam Vaipar e Pébar,
mas nestes está um padre Malauar da terra e com todo é necessário visitarlos de dois em meses
por que não o temem tanto nem fazem tudo que o māda. Quanto à necessidade vos parece pºs e heróis
em xũ que ay nesta parte de pºs, pois são tantos os lugares que é necessário
Esta carta ouve
de elus. até 1547.
23
{{PAGE:2}}
[M7.1]
F
[Stamp — top center]
[Circular stamp: ARQUIVO DE MARINHA E ULTRAMAR. B.N.R.]
Cárias da Índia.
Vn só lugar de nós ter cargo de cinquenta e quatorze lugares sendo necessários para cada um dos púns, acá se ensinam as orações por todos os lugares.
Dasos xpúanos as niñas vêm pela manhã e os niños à tarde e os homens ao domingo, os púns ouvimos os pleitos dos xpúanos que pertencem à eglesia acceſsoria como todos os outros caſos, ainda que às vezes os remetemos aos patangatins que são os principais do povo falto aqui todo para comer segundo as muitas ocupaçõese aí sim me parece que me dá o sr. forças por grande falta que de padres há, por que quem bem conhece minha fraqueza e doença não creerá poder eu suplir tanto. Bem podeis pensar os trabalhos que os outros púns saudáveis têm, pois o enfermo tem tantos umbdenos ajudar por amor de Deus. Mas avissoos que venguéis bem provêidos da graça do sr. para nesta terra podered frutificar por que aqui ay muitos trabalhos e perſifugciones e pouco tempo para ſe hombrarrefar à oração que é manjar do anima. Os que andam nesta costa são o pú Anto e o pú Cipriano, e o herói Morales e eu e o pú franco Enríquez que é ido agora sobre um negócio que pertencece aos xpúanos e esperamos cada dia por ele com alguns padres mais persuadidos podereis que venguéis estas partes ganhar mais, pois tantos vêm ganhar dinheiro estou espantado do pouco cuidado que se teve da Índia em Portugal, pois na nova Eſpanha foram de Castilla muitos homens ſiernos de Deus e assim se tem lá feito muito fruto e aqui na Índia são muito poucos vindo de Portugal se aí lo atribuímos emcomiados sempre adiós herói e a estes xpúanos de quem temos muito dado de xunicale hoje de São Nicolau b. de dezembro de 1547. + virgo indigno herói e ſiervo Enrique Enríquez
[Signature]
Enrique Enríquez
[Stamp — bottom center]
[Page number: Folio: 6]
[translation]
{{PAGE:1}}
---
**Translation**
**From the year 1548.**
This is the 47th letter from P. Henrique Enriquez to the fathers and heroes of the College of Jesus in Coimbra, written on 6th December 1547.
By the grace of God, our Lord Jesus Christ, and with all amen. Until now, we have not received genuine letters from Portugal; we are greatly longing to see them. We await them every day, as there are certain regions in India where navigation is possible, but not everywhere. Therefore, we have not yet received genuine letters along this coast at Cape Comorin, even though ships have arrived in Goa some days ago. I informed my beloved fathers that after spending several months in Goa, I received a letter from M. Fracão de Maluku, who was there, instructing us to obey everything and that all those who had come from the kingdom should proceed to Cape Comorin. Although my companions advised me not to leave Goa because I was so ill and the land to which I would go was so barren, it was the will of the Father that compelled me to leave Goa, as I could neither remain there nor live in peace. I thought that here in this place, I would soon die, but God be praised, I left contrary to this expectation. Although the provisions here are poor and I find myself better in Goa, and work more than I did elsewhere, I am responsible for several places. One is called Tuticorin, the largest along this coast, where the main men reside. Another is called Punicalé, slightly smaller than Tuticorin, and another is here known as Cebuturu, which is small, with two others even smaller. I frequently visit these places; I visit them all every nine days, and I spend more time in Punicalé, either due to paternal affection or because it is midway between the other places. There are many occupations and concerns associated with these places that often leave little time for prayer. Every day, we are occupied, and despite visiting these places so frequently, I find that many creatures die unbaptized, which cannot be avoided since the natives lack sufficient understanding to perform baptism. However, in one of these places, I have already taught a man to baptize, and I must continue to teach in the others, especially if no priests arrive this year, as they are sufficient until many more are needed according to the many places and regions here. Beyond these places, I also hold responsibility for two others called Vaipar and Pébar, but a priest from Maluku resides there, and I must visit them twice a month, as they do not fear him as much and do not always obey his instructions. As for the need, it seems to you, dear fathers, that there are many priests required in this region, given the vast number of places that necessitate their presence.
This letter ends on 23rd.
---
**Note**:
- "Pº" stands for "Padre" (Father).
- "piãos" is a variant of "píos," meaning "regions" or "places."
- "Vaipar" and "Pébar" are place names.
- "M. Fracão de Maluku" is a name of a person.
- "Cape Comorin" refers to the modern-day Kanyakumari district in Tamil Nadu, India.
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[M7.1]
F
[Stamp — top center]
[Circular stamp: ARQUIVO DE MARINHA E ULTRAMAR. B.N.R.]
Records from India.
In one place we oversee fifty-four locations, teaching prayers in each of these places. The Xpúanos bring their children in the morning, the boys in the afternoon, and the men on Sundays. We hear disputes from the Xpúanos who belong to the accessory church, as well as other cases. However, at times, we refer these matters to the patangatins, who are the principal members of the community. Given the scarcity of food here due to numerous occupations, I find myself lacking in strength due to the great shortage of priests. Anyone familiar with my weakness and illness would not doubt that I cannot manage such a large burden alone. You can imagine the difficulties faced by healthy púns; an ill person bears even more burdens out of devotion to God. Nevertheless, I remind you that you must be well-equipped with the grace of the Lord to bear fruit in this land, for there are many challenges and persecutions, leaving little time for prayer, which is the nourishment of the soul. Those who travel along this coast are the pú Anto, the pú Cipriano, the hero Morales, and myself, as well as the pú Frano Enríquez, who has left for a matter concerning the Xpúanos and whom we await daily with some additional priests. More could be gained in these parts if you were better prepared with the grace of the Lord, as so many come seeking wealth. I am astonished by the lack of care shown to India by Portugal, given that in New Spain, many devout Spaniards have achieved much success. Here in India, few come from Portugal. We attribute this to constant delays in appointments. Farewell, hero, and to these Xpúanos, for whom we have received much gratitude today from São Nicolau, 12 December 1547. + unworthy servant Enrique Enríquez
[Signature]
Enrique Enríquez
[Stamp — bottom center]
[Page number: Folio: 6] |
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Do ano de 1548.
Este anno de 47. carta do pº Enrique Enriquez para os pºs e heróis do collegio de Iesus de Coimbra escrita=
a 6. de dezembro de 1547. anos.
Gracia dni nri Iesu xñ cum omnibus amen. Aun até ora não temos vistas veras
cartas de Portugal, estamos com grandes desejos de as ver, esperamos cada dia por elas,
ca em na India ay certos tpiõs en que navegam e não se pode navegar em todo tpiõ e por isso
aun aqui nesta costa do cabo de Comorin não temos recebido veras cartas, aun q̃ ay ja
dias que chegaram as navios a Goa. De meus pºs e heróis em xũ muito amados vos dei
cuenta q̃ depois de estar alguns meses em Goa vino uma carta de M. Fraco de Maluco onde
ele estava em que mandava em tudo de sancta obediência que todos os pºs que éramos venidos
do reino vencessemos ao cabo de Comorin e, aun que me persuadiam os pºs não me mudasse
de Goa pois era tão enfermo e a terra para que avia de ir tão estéril obrigava tanto o mādo do pº
que não pude comigo acabar de quedar em Goa nem pudesse viver descansado, vim e parecia
aos pºs que aqui morreria presto, mas Deus seja lheado saí muito ao contrário, por que
aun que aqui ay malos mantimentos e pocos me hallo maior que em Goa e trabalho muito
mais do que alla trabalhaua. Tenho a meu cargo um lugar chamado Tuticorin, o maior desta costa
e onde estão os principais homens dela. E outro chamado Punicalé, pouco menor que Tuticorin,
e outro aqũ llaman Cebuturu, este é pequeno e outros dois mais pequenos. Estes lugares todos visito
amenudo, cada nueve dias os visito todos, hago mais minhas assentos em Punicalé, assim por melo
mādar assim pelo pº ante criminal, como por estar em meio dos outros lugares. São tantas as ocupações
e cuidades que se seguem ao cargo destos lugares que falta muitas vezes o tempo para se homem recoger
com Deus. Todo o dia temos ocupações e, sem embargo que visite os lugares tão amenudo, hallo que
muerem criaturas sem baptismo, não pode ser menos por que nesta terra os naturais são de tão pouco
juizo que não são para saber baptizar, ainda que já em um destes lugares tenho ensinado um homem
e assim tenho de ensinar nos outros principalmente se este ano não virem pºs, pois são suficientes
até que por muitos que virem muitos mais são necessários segundo os muitos lugares e muitos piãos
que aqui ay. Allende destos lugares axtaba ditos tenho também cargo de dois que se chamam Vaipar e Pébar,
mas nestes está um padre Malauar da terra e com todo é necessário visitarlos de dois em meses
por que não o temem tanto nem fazem tudo que o māda. Quanto à necessidade vos parece pºs e heróis
em xũ que ay nesta parte de pºs, pois são tantos os lugares que é necessário
Esta carta ouve
de elus. até 1547.
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[Circular stamp: ARQUIVO DE MARINHA E ULTRAMAR. B.N.R.]
Cárias da Índia.
Vn só lugar de nós ter cargo de cinquenta e quatorze lugares sendo necessários para cada um dos púns, acá se ensinam as orações por todos os lugares.
Dasos xpúanos as niñas vêm pela manhã e os niños à tarde e os homens ao domingo, os púns ouvimos os pleitos dos xpúanos que pertencem à eglesia acceſsoria como todos os outros caſos, ainda que às vezes os remetemos aos patangatins que são os principais do povo falto aqui todo para comer segundo as muitas ocupaçõese aí sim me parece que me dá o sr. forças por grande falta que de padres há, por que quem bem conhece minha fraqueza e doença não creerá poder eu suplir tanto. Bem podeis pensar os trabalhos que os outros púns saudáveis têm, pois o enfermo tem tantos umbdenos ajudar por amor de Deus. Mas avissoos que venguéis bem provêidos da graça do sr. para nesta terra podered frutificar por que aqui ay muitos trabalhos e perſifugciones e pouco tempo para ſe hombrarrefar à oração que é manjar do anima. Os que andam nesta costa são o pú Anto e o pú Cipriano, e o herói Morales e eu e o pú franco Enríquez que é ido agora sobre um negócio que pertencece aos xpúanos e esperamos cada dia por ele com alguns padres mais persuadidos podereis que venguéis estas partes ganhar mais, pois tantos vêm ganhar dinheiro estou espantado do pouco cuidado que se teve da Índia em Portugal, pois na nova Eſpanha foram de Castilla muitos homens ſiernos de Deus e assim se tem lá feito muito fruto e aqui na Índia são muito poucos vindo de Portugal se aí lo atribuímos emcomiados sempre adiós herói e a estes xpúanos de quem temos muito dado de xunicale hoje de São Nicolau b. de dezembro de 1547. + virgo indigno herói e ſiervo Enrique Enríquez
[Signature]
Enrique Enríquez
[Stamp — bottom center]
[Page number: Folio: 6] |
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**Translation**
**From the year 1548.**
This is the 47th letter from P. Henrique Enriquez to the fathers and heroes of the College of Jesus in Coimbra, written on 6th December 1547.
By the grace of God, our Lord Jesus Christ, and with all amen. Until now, we have not received genuine letters from Portugal; we are greatly longing to see them. We await them every day, as there are certain regions in India where navigation is possible, but not everywhere. Therefore, we have not yet received genuine letters along this coast at Cape Comorin, even though ships have arrived in Goa some days ago. I informed my beloved fathers that after spending several months in Goa, I received a letter from M. Fracão de Maluku, who was there, instructing us to obey everything and that all those who had come from the kingdom should proceed to Cape Comorin. Although my companions advised me not to leave Goa because I was so ill and the land to which I would go was so barren, it was the will of the Father that compelled me to leave Goa, as I could neither remain there nor live in peace. I thought that here in this place, I would soon die, but God be praised, I left contrary to this expectation. Although the provisions here are poor and I find myself better in Goa, and work more than I did elsewhere, I am responsible for several places. One is called Tuticorin, the largest along this coast, where the main men reside. Another is called Punicalé, slightly smaller than Tuticorin, and another is here known as Cebuturu, which is small, with two others even smaller. I frequently visit these places; I visit them all every nine days, and I spend more time in Punicalé, either due to paternal affection or because it is midway between the other places. There are many occupations and concerns associated with these places that often leave little time for prayer. Every day, we are occupied, and despite visiting these places so frequently, I find that many creatures die unbaptized, which cannot be avoided since the natives lack sufficient understanding to perform baptism. However, in one of these places, I have already taught a man to baptize, and I must continue to teach in the others, especially if no priests arrive this year, as they are sufficient until many more are needed according to the many places and regions here. Beyond these places, I also hold responsibility for two others called Vaipar and Pébar, but a priest from Maluku resides there, and I must visit them twice a month, as they do not fear him as much and do not always obey his instructions. As for the need, it seems to you, dear fathers, that there are many priests required in this region, given the vast number of places that necessitate their presence.
This letter ends on 23rd.
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**Note**:
- "Pº" stands for "Padre" (Father).
- "piãos" is a variant of "píos," meaning "regions" or "places."
- "Vaipar" and "Pébar" are place names.
- "M. Fracão de Maluku" is a name of a person.
- "Cape Comorin" refers to the modern-day Kanyakumari district in Tamil Nadu, India.
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[Circular stamp: ARQUIVO DE MARINHA E ULTRAMAR. B.N.R.]
Records from India.
In one place we oversee fifty-four locations, teaching prayers in each of these places. The Xpúanos bring their children in the morning, the boys in the afternoon, and the men on Sundays. We hear disputes from the Xpúanos who belong to the accessory church, as well as other cases. However, at times, we refer these matters to the patangatins, who are the principal members of the community. Given the scarcity of food here due to numerous occupations, I find myself lacking in strength due to the great shortage of priests. Anyone familiar with my weakness and illness would not doubt that I cannot manage such a large burden alone. You can imagine the difficulties faced by healthy púns; an ill person bears even more burdens out of devotion to God. Nevertheless, I remind you that you must be well-equipped with the grace of the Lord to bear fruit in this land, for there are many challenges and persecutions, leaving little time for prayer, which is the nourishment of the soul. Those who travel along this coast are the pú Anto, the pú Cipriano, the hero Morales, and myself, as well as the pú Frano Enríquez, who has left for a matter concerning the Xpúanos and whom we await daily with some additional priests. More could be gained in these parts if you were better prepared with the grace of the Lord, as so many come seeking wealth. I am astonished by the lack of care shown to India by Portugal, given that in New Spain, many devout Spaniards have achieved much success. Here in India, few come from Portugal. We attribute this to constant delays in appointments. Farewell, hero, and to these Xpúanos, for whom we have received much gratitude today from São Nicolau, 12 December 1547. + unworthy servant Enrique Enríquez
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Aun até ora não temos vistas veras cartas de Portugal, estamos com grandes desejos de as ver, esperamos cada dia por elas, ca em na India ay certos tpiõs en que navegam e não se pode navegar em todo tpiõ e por isso aun aqui nesta costa do cabo de Comorin não temos recebido veras cartas, aun q̃ ay ja dias que chegaram as navios a Goa. De meus pºs e heróis em xũ muito amados vos dei cuenta q̃ depois de estar alguns meses em Goa vino uma carta de M. Fraco de Maluco onde ele estava em que mandava em tudo de sancta obediência que todos os pºs que éramos venidos do reino vencessemos ao cabo de Comorin e, aun que me persuadiam os pºs não me mudasse de Goa pois era tão enfermo e a terra para que avia de ir tão estéril obrigava tanto o mādo do pº que não pude comigo acabar de quedar em Goa nem pudesse viver descansado, vim e parecia aos pºs que aqui morreria presto, mas Deus seja lheado saí muito ao contrário, por que aun que aqui ay malos mantimentos e pocos me hallo maior que em Goa e trabalho muito mais do que alla trabalhaua. Tenho a meu cargo um lugar chamado Tuticorin, o maior desta costa e onde estão os principais homens dela. E outro chamado Punicalé, pouco menor que Tuticorin, e outro aqũ llaman Cebuturu, este é pequeno e outros dois mais pequenos. Estes lugares todos visito amenudo, cada nueve dias os visito todos, hago mais minhas assentos em Punicalé, assim por melo mādar assim pelo pº ante criminal, como por estar em meio dos outros lugares. São tantas as ocupações e cuidades que se seguem ao cargo destos lugares que falta muitas vezes o tempo para se homem recoger com Deus. Todo o dia temos ocupações e, sem embargo que visite os lugares tão amenudo, hallo que muerem criaturas sem baptismo, não pode ser menos por que nesta terra os naturais são de tão pouco juizo que não são para saber baptizar, ainda que já em um destes lugares tenho ensinado um homem e assim tenho de ensinar nos outros principalmente se este ano não virem pºs, pois são suficientes até que por muitos que virem muitos mais são necessários segundo os muitos lugares e muitos piãos que aqui ay. Allende destos lugares axtaba ditos tenho também cargo de dois que se chamam Vaipar e Pébar, mas nestes está um padre Malauar da terra e com todo é necessário visitarlos de dois em meses por que não o temem tanto nem fazem tudo que o māda. Quanto à necessidade vos parece pºs e heróis em xũ que ay nesta parte de pºs, pois são tantos os lugares que é necessário Esta carta ouve de elus. até 1547. 23 {{PAGE:2}} [M7.1] F [Stamp — top center] [Circular stamp: ARQUIVO DE MARINHA E ULTRAMAR. B.N.R.] Cárias da Índia. Vn só lugar de nós ter cargo de cinquenta e quatorze lugares sendo necessários para cada um dos púns, acá se ensinam as orações por todos os lugares. Dasos xpúanos as niñas vêm pela manhã e os niños à tarde e os homens ao domingo, os púns ouvimos os pleitos dos xpúanos que pertencem à eglesia acceſsoria como todos os outros caſos, ainda que às vezes os remetemos aos patangatins que são os principais do povo falto aqui todo para comer segundo as muitas ocupaçõese aí sim me parece que me dá o sr. forças por grande falta que de padres há, por que quem bem conhece minha fraqueza e doença não creerá poder eu suplir tanto. Bem podeis pensar os trabalhos que os outros púns saudáveis têm, pois o enfermo tem tantos umbdenos ajudar por amor de Deus. Mas avissoos que venguéis bem provêidos da graça do sr. para nesta terra podered frutificar por que aqui ay muitos trabalhos e perſifugciones e pouco tempo para ſe hombrarrefar à oração que é manjar do anima. Os que andam nesta costa são o pú Anto e o pú Cipriano, e o herói Morales e eu e o pú franco Enríquez que é ido agora sobre um negócio que pertencece aos xpúanos e esperamos cada dia por ele com alguns padres mais persuadidos podereis que venguéis estas partes ganhar mais, pois tantos vêm ganhar dinheiro estou espantado do pouco cuidado que se teve da Índia em Portugal, pois na nova Eſpanha foram de Castilla muitos homens ſiernos de Deus e assim se tem lá feito muito fruto e aqui na Índia são muito poucos vindo de Portugal se aí lo atribuímos emcomiados sempre adiós herói e a estes xpúanos de quem temos muito dado de xunicale hoje de São Nicolau b. de dezembro de 1547. + virgo indigno herói e ſiervo Enrique Enríquez [Signature] Enrique Enríquez [Stamp — bottom center] [Page number: Folio: 6] {{PAGE:1}} --- **Translation** **From the year 1548.** This is the 47th letter from P. Henrique Enriquez to the fathers and heroes of the College of Jesus in Coimbra, written on 6th December 1547. By the grace of God, our Lord Jesus Christ, and with all amen. Until now, we have not received genuine letters from Portugal; we are greatly longing to see them. We await them every day, as there are certain regi |
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